O que está dentro de nós influencia o que vivemos?
Entenda como emoções, crenças e experiências podem influenciar nossa maneira de enxergar o mundo, reagir às situações e fazer escolhas.
Por Adriane Borges e Adriana Carvalho, da Frequência da Vida.
Você já percebeu como duas pessoas podem passar pela mesma situação e reagir de maneiras completamente diferentes?
Uma recebe uma crítica e encontra uma oportunidade de melhorar. A outra se sente desvalorizada, como se todo o seu esforço não tivesse sido reconhecido.
O acontecimento pode ser o mesmo, mas a experiência de cada uma é diferente.
Isso acontece porque não enxergamos o mundo apenas como ele se apresenta. Também o interpretamos a partir daquilo que sentimos, acreditamos e vivemos ao longo da vida.
Nossas emoções, lembranças, expectativas e inseguranças funcionam como filtros. E, muitas vezes, nem percebemos o quanto esses filtros influenciam nossas escolhas e a maneira como nos relacionamos com as pessoas.
É aí que o autoconhecimento começa a fazer diferença.
Por que algumas situações parecem se repetir?
Às vezes, mudamos de trabalho, de relacionamento ou de ambiente, mas continuamos experimentando sensações muito parecidas.
A impressão de não sermos valorizados. O medo de desagradar. A necessidade constante de provar nossa capacidade. Ou aquela dificuldade de dizer não, mesmo quando estamos sobrecarregados.
É como se os cenários mudassem, mas algumas histórias continuassem se repetindo.
Nem sempre isso acontece pelas mesmas razões. Existem circunstâncias externas que realmente se repetem. Mas também podemos carregar maneiras de pensar e reagir que se tornaram automáticas.
Imagine alguém que aprendeu, ao longo da vida, que precisa agradar a todos para ser aceito. Mesmo quando deseja recusar um pedido, acaba dizendo sim.
Com o tempo, surgem o cansaço, a frustração e a sensação de estar sempre deixando as próprias necessidades em segundo plano.
A questão não é encontrar culpados, mas perceber o que está acontecendo.
Quantas das nossas reações são escolhas conscientes e quantas são respostas que aprendemos a repetir?
O que sentimos muda a maneira como enxergamos o mundo
Pense em um dia em que você acorda tranquilo, descansado e bem-disposto. Pequenos contratempos parecem mais fáceis de resolver. Uma demora, uma resposta atravessada ou uma mudança de planos talvez não tenham tanta importância.
Agora imagine enfrentar situações semelhantes em um dia de preocupação, insegurança ou esgotamento emocional.
Tudo pode parecer mais difícil.
O mundo exterior não necessariamente mudou. Mas o seu estado interior pode ter alterado a maneira como você percebe e enfrenta os acontecimentos.
Isso não significa que nossas emoções criem tudo o que acontece ao nosso redor ou que sejamos responsáveis pelas atitudes dos outros.
Significa reconhecer que aquilo que acontece dentro de nós participa da maneira como vivenciamos o que acontece fora.
E essa percepção pode abrir espaço para mudanças importantes.
Autoconhecimento não é procurar defeitos em si mesmo
Olhar para dentro não significa assumir a culpa por tudo o que dá errado.
Existem injustiças, desrespeito, perdas e acontecimentos que não dependem da nossa vontade. Ninguém precisa aceitar uma situação prejudicial apenas porque acredita que deveria mudar sua maneira de pensar.
O autoconhecimento pode ajudar justamente a reconhecer essas diferenças.
Em algumas situações, precisamos mudar nossa atitude. Em outras, estabelecer limites, pedir ajuda ou nos afastar daquilo que nos faz mal.
Também existem momentos em que vale perguntar se estamos interpretando o presente a partir de uma experiência antiga.
Uma crítica, por exemplo, pode despertar sentimentos ligados a situações anteriores de rejeição ou desvalorização, mesmo quando a intenção de quem falou era diferente.
Perceber essa possibilidade não elimina o desconforto, mas permite olhar para a situação de outra maneira.
Pequenas mudanças começam com uma nova percepção
Imagine uma pessoa que costuma aceitar todas as solicitações no trabalho porque teme parecer pouco comprometida.
Ela assume mais tarefas do que consegue realizar, fica sobrecarregada e, mesmo assim, sente dificuldade em recusar novos pedidos.
Até que começa a perceber o que existe por trás desse comportamento: talvez o receio de decepcionar, de ser julgada ou de não corresponder às expectativas.
A partir daí, surge uma possibilidade diferente.
Em vez de responder automaticamente, ela pode avaliar suas prioridades, negociar um prazo ou simplesmente dizer que não consegue assumir aquela tarefa.
Isso não significa que o desconforto desaparecerá imediatamente. Nem que as outras pessoas reagirão como ela espera.
Mas algo já mudou: ela passou a reconhecer o que sentia e a escolher como agir.
Muitas transformações começam assim, com pequenas mudanças de percepção que se refletem nas atitudes do dia a dia.
E se começássemos a olhar mais para dentro?
Talvez não possamos escolher tudo o que acontece em nossa vida. Mas podemos começar a perceber quanto das nossas respostas vem do presente e quanto ainda carrega marcas do passado.
Podemos observar o que sentimos antes de reagir, questionar crenças que já não fazem sentido e reconhecer comportamentos que repetimos sem perceber.
Não se trata de controlar todas as emoções ou buscar uma vida sem dificuldades. Trata-se de desenvolver mais consciência sobre a maneira como participamos das nossas próprias experiências.
Afinal, mudar a forma como enxergamos o mundo não significa que o mundo tenha mudado.
Mas pode transformar profundamente a maneira como nos relacionamos com ele.

Sobre as autoras
Adriane Borges é terapeuta energética frequencial e atua na Frequência da Vida, onde participa do desenvolvimento da proposta terapêutica e da atuação da marca.
Adriana Carvalho é farmacêutica e terapeuta integrativa. Na Frequência da Vida, contribui com sua experiência em práticas integrativas e cuidado individualizado.
